Uma das maiores bombas de 2026. PrejuĂzo de US$ 100 milhĂ”es, crĂticas arrasadoras e uma guerra nos bastidores que destruiu qualquer chance de sucesso. Vamos entender o que aconteceu.
Lembra daquele episĂłdio de Os Simpsons em que o Homer Ă© contratado para criar um carro e o resultado Ă© um Frankenstein com cĂșpula de bolha, chifres e um motor que faz barulho de cavalo? Pois Ă©. O filme da Supergirl foi exatamente isso â um monstro criado por comitĂȘ, com partes de vĂĄrios filmes diferentes, mas sem alma prĂłpria.
A expectativa era alta. Depois do sucesso de Superman, o novo Universo DC liderado por James Gunn parecia ter um futuro brilhante. A escolha de Milly Alcock (de A Casa do DragĂŁo) como Kara Zor-El foi aclamada. O material original â a aclamada graphic novel Supergirl: Woman of Tomorrow â era fantĂĄstico. Tudo parecia alinhado para mais um acerto.
Mas aĂ o filme estreou. E o que era promessa virou desastre. Supergirl arrecadou apenas US$ 100,5 milhĂ”es em todo o mundo, com uma queda de 70% no segundo fim de semana. O prejuĂzo estimado pode chegar a US$ 100 milhĂ”es. E a cereja do bolo: apenas 54% de aprovação no Rotten Tomatoes.
Mas como isso aconteceu? Como um filme com tanto potencial foi parar no limbo dos fracassos cinematogrĂĄficos? A resposta estĂĄ em 5 erros crĂticos â desde uma guerra nos bastidores atĂ© vilĂ”es esquecĂveis e uma fotografia que parecia ter sido filmada num filtro de lama. Vamos mergulhar nesse buraco negro cinematogrĂĄfico.
1. Guerra nos bastidores: Craig Gillespie vs James Gunn
Se tem uma coisa que mata um filme mais rĂĄpido que uma crĂtica negativa, Ă© uma briga criativa nos bastidores. E Supergirl teve uma das piores.
Segundo o The Hollywood Reporter, o diretor Craig Gillespie (conhecido por Eu, Tonya e O Estranho que NĂłs Amamos) e o chefe da DC, James Gunn, simplesmente nĂŁo estavam alinhados criativamente. E nĂŁo era uma diferença pequena â era uma visĂŁo fundamentalmente oposta sobre o que o filme deveria ser.
As filmagens terminaram e todos sabiam que Supergirl nĂŁo estava funcionando. AĂ veio a intervenção do estĂșdio. Jeremy Slater foi contratado para reescrever o roteiro e estabelecer as bases para nove dias adicionais de filmagem. Depois, a montagem virou um campo de batalha: de um lado, a editora de confiança de Gillespie, Tatiana S. Riegel; do outro, o editor de confiança de Gunn, Fred Raskin.
O resultado? O filme se tornou um Frankenstein cinematogrĂĄfico. Duas visĂ”es competindo dentro do mesmo filme, sem nunca encontrar um equilĂbrio. Em exibiçÔes teste, as duas versĂ”es receberam crĂticas piores do que a anterior. A versĂŁo "aprimorada pelo estĂșdio" acabou indo pros cinemas, mas nenhuma exibição teste adicional foi realizada.
Ă como se o Batman e o Coringa tivessem que dirigir o mesmo filme juntos. NĂŁo daria certo. E nĂŁo deu.
2. Falta de identidade: uma colagem de referĂȘncias sem personalidade
O consenso entre os crĂticos Ă© unĂąnime: Supergirl nĂŁo sabe o que quer ser.
O crĂtico PH Santos descreveu o longa como uma "colagem confusa" de referĂȘncias, que tenta ser tudo ao mesmo tempo â faroeste espacial, Ăłpera, Mad Max, GuardiĂ”es da GalĂĄxia â e acaba nĂŁo sendo nada. O crĂtico Jeremy Jahns foi ainda mais duro, chamando a obra de "bagunça genĂ©rica de ficção cientĂfica" que parece ter sido gerada por uma inteligĂȘncia artificial.
O problema Ă© que o filme imita a fĂłrmula de GuardiĂ”es da GalĂĄxia â com alienĂgenas bizarros, anti-herĂłis e mĂșsica â mas nĂŁo tem a mesma autenticidade. Ă uma cĂłpia de uma cĂłpia, sem a alma que fez o filme de James Gunn funcionar.
O ObservatĂłrio do Cinema resumiu bem: o filme "nĂŁo encontra sua prĂłpria identidade". E a Gazeta do Povo completou: o longa "falha em encontrar sua prĂłpria essĂȘncia".
Até a fotografia sofre com isso. O filme tem um visual "lavado", com cores pastéis e apagadas que tentam traduzir a depressão de Kara, mas que apenas parecem desbotadas. O uso amador de lens flares e uma iluminação ineficiente resultam num visual "lamacento" e escuro, pouco convincente para um épico espacial.
3. Vilão genérico e motivaçÔes rasas
Todo herói precisa de um vilão à altura. Supergirl ganhou um vilão que ninguém vai lembrar daqui a seis meses.
O antagonista Krem (interpretado por Matthias Schoenaerts) foi amplamente rejeitado pelos crĂticos. Jeremy Jahns e Waldemar Dalenogare o classificaram como um dos vilĂ”es mais genĂ©ricos e esquecĂveis da era moderna de super-herĂłis, desprovido de magnetismo ou conexĂŁo emocional com a protagonista.
O G1 foi cirĂșrgico: o vilĂŁo Ă© "todo de preto e cheio de piercings na cara, sem qualquer tipo de motivação". Ă difĂcil diferenciĂĄ-lo atĂ© de seus prĂłprios capangas. O visual lembra demais os mercenĂĄrios espaciais de GuardiĂ”es da GalĂĄxia, mas sem a personalidade â mais uma prova de que o filme tentou copiar a fĂłrmula sem entender o que a fazia funcionar.
Para piorar, o roteiro usa artifĂcios frĂĄgeis e repetitivos para enfraquecer a Supergirl e justificar a ameaça. LĂĄ pela terceira explicação furada, o pĂșblico jĂĄ nĂŁo acredita mais.
4. O potencial desperdiçado de Jason Momoa como Lobo
Jason Momoa foi uma das maiores apostas do filme. O ex-Aquaman interpreta o caçador de recompensas Lobo, e a expectativa era alta. O resultado foi agridoce.
Por um lado, Momoa entrega exatamente o que se espera dele: Ă© exagerado, barulhento, debochado e fisicamente imponente. O ator claramente se diverte no papel. Para alguns crĂticos, sua participação Ă© o "acerto total" que eleva o filme.
Por outro lado, o personagem parece existir mais para movimentar a trama do que para contribuir com a jornada emocional de Kara. O G1 foi duro: Lobo ganha "uma versĂŁo para baixinhos" no filme. E o DiĂĄrio do Rio resumiu: Momoa "nĂŁo eleva o filme, nĂŁo compromete o resultado e nĂŁo oferece nada particularmente novo".
O personagem funciona mais como teaser para o futuro do Universo DC do que como algo indispensåvel para esta história. E, no processo, quem perde espaço é a própria Supergirl.
5. A sombra de Superman: comparação inevitåvel e fatal
Se tem uma coisa que matou Supergirl antes mesmo de estrear, foi a comparação com Superman. E nĂŁo Ă© difĂcil entender por quĂȘ.
Como apontou o Laranja Cast, "Ă© impossĂvel assistir Supergirl sem lembrar constantemente de Superman". NĂŁo porque os filmes contem histĂłrias parecidas, mas porque um demonstra absoluta convicção sobre seu protagonista enquanto o outro parece procurar essa identidade durante quase duas horas.
O filme de James Gunn apresentava um herói otimista, inspirador e seguro de quem era. Clark Kent sabia exatamente quem era desde a primeira cena. Jå Kara Zor-El ainda parece estar tentando descobrir isso quando os créditos começam a subir.
Essa diferença pesa muito. O que deveria ser o ponto forte de Supergirl â sua complexidade, seu trauma, sua jornada de luto â acaba se perdendo num roteiro que nĂŁo consegue transformar esses elementos em uma evolução clara da personagem. Como disse o ObservatĂłrio do Cinema: "Kara passa boa parte da histĂłria afogada em sua dor, mas a mudança que deveria conduzir sua jornada emocional acontece de forma pouco convincente".
No fim, Supergirl nĂŁo alcança as alturas de Superman â e isso Ă© o que mais dĂłi.
O que se salva: Milly Alcock e o potencial de Kara Zor-El
Se tem uma coisa que todo mundo concorda, Ă© que Milly Alcock Ă© a melhor coisa do filme. E nĂŁo Ă© pouca coisa.
A atriz australiana, conhecida por A Casa do Dragão, entrega uma performance que vai de ameaçadora a profundamente vulneråvel. Ela carrega o peso emocional da narrativa aos ombros e consegue ser divertida, carismåtica e trågica ao mesmo tempo.
O G1 foi enfĂĄtico: "Milly Alcock Ă© o grande sol que dĂĄ os poderes para Supergirl". Ela transmite uma vulnerabilidade que faz Kara parecer humana mesmo sendo praticamente invencĂvel.
Mas aqui estå o problema: até a performance dela é ofuscada pelo roteiro. O consenso geral é que a atriz e a personagem mereciam um filme melhor. Alcock "claramente nasceu para interpretar Kara Zor-El", mas o filme não estå à altura do seu talento.
Ă como ter um Jimmy Page tocando numa banda de garagem. O talento estĂĄ lĂĄ, mas o material nĂŁo acompanha. E isso Ă© uma pena.
Conclusão: um tropeço que pode abalar a DC
O fracasso de Supergirl nĂŁo Ă© sĂł mais um filme ruim. Ă um sinal de alerta para o novo Universo DC.
Para a tristeza dos fĂŁs, o desastre pode representar o começo de uma grande crise dentro da DC. O filme representa um tropeço significativo para James Gunn, que agora enfrenta o desafio de estabelecer credibilidade para o novo universo apĂłs uma obra que "falha em encontrar sua prĂłpria essĂȘncia".
A pergunta que fica: Supergirl vai ter uma segunda chance? A personagem Ă© rica, o material original Ă© excelente e Milly Alcock Ă© uma escolha perfeita. Mas, como diz o ditado, a primeira impressĂŁo Ă© a que fica. E a primeira impressĂŁo de Supergirl no cinema foi catastrĂłfica.
Como diria o Batman: "VocĂȘ ou morre como herĂłi ou vive tempo o suficiente para se tornar o vilĂŁo." A DC espera que Supergirl nĂŁo tenha se tornado o vilĂŁo da sua prĂłpria histĂłria. Mas, por enquanto, o estrago estĂĄ feito.
E vocĂȘ, jĂĄ assistiu? Concorda com as crĂticas? Conta pra gente nos comentĂĄrios!
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ComentĂĄrios (1)
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