O Público Cansou de Heróis? A Virada dos Filmes Originais no Cinema

Depois de anos de sequências intermináveis, o público finalmente disse "chega". Filmes originais estão dominando as bilheterias — e Hollywood está começando a escutar.

Por quase uma década, assistir ao cinema de verão parecia ler o mesmo livro repetidas vezes. Mais um filme da Marvel. Mais um spin-off de Star Wars. Mais uma sequência que ninguém pediu. O público continuava aparecendo, os estúdios continuavam contando o dinheiro, e as histórias originais continuavam sendo espremidas para fora do circuito principal.

Então 2025 aconteceu — e algo mudou. O cansaço das franquias finalmente se tornou uma realidade incontornável para Hollywood.

Em 2019, o último ano pré-pandemia, os filmes de franquia puxaram 82,5% da bilheteria mundial de Hollywood. Filmes originais, sem franquia, dividiram apenas 17,5% do bolo [The Statesman]. Mas os estúdios haviam descoberto uma fórmula: personagens familiares, público incorporado, custos de marketing mais baixos porque você não precisava explicar do que se tratava o filme.

Essa fórmula, no entanto, está se desgastando. E rápido.

1. Os números que provam o cansaço das franquias

As estatísticas são claras. Uma pesquisa da Hub Entertainment Research descobriu que apenas 29% dos consumidores americanos acompanham a maioria ou todas as entradas de uma determinada franquia. Mais revelador: 62% disseram preferir histórias originais a outra sequência ou spin-off. Apenas 24% dos entrevistados se descreveram como ansiosos pelo próximo lançamento da Marvel [The Statesman] — uma queda impressionante para uma marca que parecia invencível.

A bilheteria refletiu esse humor. Captain America: Brave New World abriu com 48% de aprovação da crítica no Rotten Tomatoes. Em 2012, The Avengers tinha 91% [The Statesman]. Wicked: For Good arrecadou menos de US$ 350 milhões nacionalmente [CNBC], uma queda acentuada em relação aos US$ 475 milhões do original. O remake de Snow White perdeu mais de US$ 200 milhões [The Statesman].

O padrão é consistente em dados do Rotten Tomatoes ao longo de 40 anos: filmes originais têm média de 68% de aprovação crítica. Primeiras sequências têm média de 58%. Na terceira ou quarta entrada, as pontuações caem para os 40% [The Statesman].

2. 2026: o ano que as franquias floparam

Em 2026, o problema se tornou ainda mais evidente. Três grandes franquias — Star Wars: The Mandalorian and Grogu, Masters of the Universe e Supergirl — floparam nas bilheterias [ScreenRant].

  • Star Wars: The Mandalorian and Grogu: orçamento de US$ 165 milhões, arrecadação mundial de US$ 327,7 milhões. Crítica: 60% no Rotten Tomatoes [ScreenRant].
  • Masters of the Universe: orçamento de US$ 170-200 milhões, arrecadação mundial de apenas US$ 109,6 milhões [ScreenRant].
  • Supergirl: orçamento de US$ 170-186 milhões, abriu com apenas US$ 37,1 milhões nacionalmente e tem 55% de aprovação no Rotten Tomatoes [ScreenRant].

O que aconteceu? Concorrência inesperada. Enquanto essas franquias chegavam com expectativas altas, filmes originais e de baixo orçamento como Obsession e Backrooms se tornaram fenômenos de bilheteria — e Toy Story 5, que já estava com US$ 594 milhões mundiais, esmagou Supergirl na semana seguinte ao lançamento [ScreenRant].

3. O sucesso dos originais: Sinners e Project Hail Mary

No meio do mar de franquias em queda, dois filmes originais provaram que o público está faminto por histórias novas.

Sinners, de Ryan Coogler, lançado em abril de 2025, foi um filme de terror totalmente original, sem sequência, sem IP anterior e sem base de fãs garantida. Estreou com US$ 48 milhões nacionalmente em seu primeiro fim de semana — a melhor abertura para um filme original desde Us, de Jordan Peele, em 2019. Cruzou US$ 200 milhões domesticamente em seu quarto fim de semana, tornando-se o primeiro filme original a fazer isso desde Coco, em 2017. Obteve 97% de aprovação no Rotten Tomatoes e um CinemaScore "A" — a nota mais alta já dada a um filme de terror em 35 anos. No Oscar, recebeu 16 indicações e venceu quatro, incluindo Melhor Ator para Michael B. Jordan e Melhor Roteiro Original para Coogler [The Statesman].

Project Hail Mary (março de 2026), dirigido por Phil Lord e Christopher Miller e estrelado por Ryan Gosling, baseado no romance de Andy Weir, abriu com US$ 80,5 milhões em seu primeiro fim de semana doméstico — a segunda maior abertura para um filme sem franquia em uma década, atrás apenas de Oppenheimer. Arrecadou US$ 332 milhões domesticamente e US$ 660 milhões mundialmente, superando Perdido em Marte como a maior adaptação de Andy Weir já feita [The Statesman].

4. Odisseia: o épico que está calando o cinismo

Em meio a esse cenário de cansaço das franquias e sucesso dos originais, chega Odisseia, o mais recente épico de Christopher Nolan. Baseado no poema homônimo de Homero, o filme é estrelado por Matt Damon (Odisseu), Anne Hathaway (Penélope), Tom Holland (Telêmaco), Robert Pattinson (Antínoo) e Zendaya (Atena) [Vietnam.vn].

Com orçamento estimado em US$ 250 milhões, é o primeiro filme da história a ser filmado inteiramente com câmeras IMAX [Vietnam.vn]. E as primeiras reações são avassaladoras.

A crítica tem sido amplamente positiva. Peter Bradshaw, do The Guardian, deu 5 estrelas, descrevendo o filme como thrilling, bold, serious, generous and witty [ARY News]. O Time Out afirmou: "Acredite nos elogios, Odisseia realmente merece" [Vietnam.vn].

A atuação de Matt Damon tem sido apontada como um dos pontos altos. O crítico Simon Thompson, da Critics Choice Association, afirmou que Damon "entrega o que pode ser a melhor performance de sua carreira", retratando Odisseu como "um herói que sobrevive pela inteligência, não pela força bruta" [News18] [Vietnam.vn].

Robert Pattinson também foi elogiado como Antínoo, com Erik Davis da Fandango descrevendo-o como "um dos vilões mais memoráveis de Pattinson nos últimos anos" [Vietnam.vn].

As reações do público têm sido igualmente entusiasmadas. Um espectador escreveu: "Alguns filmes entretêm. Alguns redefinem o cinema. Odisseia faz ambos" [NDTV]. Outros o classificaram como superior a Oppenheimer e Tenet [News18].

5. As críticas e o que esperar

Nem tudo são flores. O Hollywood Reporter apontou que o filme é "desigual" e "não está à altura da segurança e complexidade intelectual de Oppenheimer" [Hollywood Reporter]. Alguns críticos mencionam que os primeiros 30 minutos são mais lentos e que a estrutura episódica do material original prejudica o fluxo [News18].

O Variety observou que, embora o filme seja vast, thrilling e frequently dazzling, ele never exactly moving — uma crítica recorrente a Nolan [Variety]. O Financial Times foi mais crítico, dando 4 estrelas e sugerindo que o humor e a sexualidade não são ainda os pontos fortes de Nolan [ARY News].

6. O que isso significa para o futuro do cinema

A lição de 2026 é clara: o público está exausto de universos compartilhados desgastados [CNBC]. Como disse Alicia Reese, vice-presidente de pesquisa da Wedbush: "Sim, há um nível de certeza... mas não é um home run. Nunca mais vai ser um home run, porque as pessoas são mais exigentes do que costumavam ser" [CNBC].

O sucesso de Sinners e Project Hail Mary mostra que o público quer histórias novas, bem contadas [The Statesman]. E Odisseia de Nolan, mesmo com seu orçamento gigantesco, é um lembrete de que o cinema de autor e a visão artística ainda podem dominar as bilheterias.

A CNBC destaca que o público está cada vez mais seletivo: "O boca a boca significa mais do que nunca" [CNBC]. Em um mundo onde a qualidade das sequências cai consistentemente, o público está votando com seus ingressos — e cada vez mais, votando em histórias novas.

7. Conclusão: uma nova era para o cinema

O cinema está passando por uma transformação silenciosa, mas poderosa. O cansaço das franquias finalmente atingiu o ponto de ruptura, e o sucesso de filmes originais está mostrando a Hollywood o caminho a seguir.

O filósofo Hemingway escreveu: "Nunca podemos voltar às coisas antigas" [The Spinoff]. Talvez seja isso que o público esteja dizendo agora. Não queremos mais o mesmo. Queremos o novo.

Com Odisseia de Nolan, Sinners de Coogler, Project Hail Mary e tantos outros originais prontos para estrear, o futuro do cinema parece mais brilhante do que há muito tempo. Não por causa de bilheterias recordes ou efeitos especiais — mas porque, finalmente, as histórias estão voltando a ser o centro.

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