MEI Para Programadores: Como Fica a Regulamentação e Categoria na TI

MEI Para Programadores: Como Fica a Regulamentação e Categoria na TI

Programador pode abrir MEI? Em 2026, a resposta ainda depende da atividade que vocĂȘ realmente exerce e das ocupaçÔes oficialmente permitidas. Existe um projeto para incluir programação e desenvolvimento de software no MEI, mas ele ainda nĂŁo virou lei.

Se vocĂȘ começou a trabalhar como programador freelancer, provavelmente jĂĄ recebeu aquela sugestĂŁo quase automĂĄtica: "abre um MEI, Ă© barato e resolve tudo".

O problema é que MEI não é simplesmente um CNPJ barato que qualquer profissional pode abrir. O regime possui uma lista específica de ocupaçÔes permitidas, e o governo orienta que o empreendedor escolha uma ocupação que corresponda de fato à atividade exercida.

A própria pågina oficial do governo, atualizada em setembro de 2026, reforça que as ocupaçÔes do MEI estão associadas a códigos CNAE e que é importante verificar se a descrição da ocupação corresponde exatamente ao que o empreendedor faz.

Para quem trabalha com desenvolvimento de software, essa distinção é especialmente importante. O CNAE 6201-5/01 corresponde a "Desenvolvimento de programas de computador sob encomenda", incluindo atividades como programação, desenvolvimento de sistemas e projetos de banco de dados sob encomenda.

E existe uma novidade importante: o PLP 25/2026 propÔe justamente permitir o enquadramento de atividades de programação e desenvolvimento de software como MEI. Mas o projeto ainda estå tramitando.

Neste artigo, vamos separar o que é regra atual, o que é proposta e o que um desenvolvedor pode fazer enquanto a legislação não muda.

  • Como funciona a regra atual do MEI;
  • Por que o CNAE precisa corresponder Ă  atividade real;
  • O que o PLP 25/2026 realmente propĂ”e;
  • Em que estĂĄgio estĂĄ o projeto;
  • Quais alternativas existem para quem precisa se formalizar agora.

1. Programador pode ser MEI em 2026?

A primeira coisa que precisa ficar clara Ă© que o MEI nĂŁo aceita qualquer atividade profissional.

A legislação do regime determina que o MEI exerça uma das ocupaçÔes previstas na lista oficial. A Resolução CGSN nÂș 140/2018 estabelece essa lĂłgica e mantĂ©m o Anexo XI como referĂȘncia das ocupaçÔes permitidas.

A lista oficial disponibilizada pelo governo continua sendo a referĂȘncia prĂĄtica para verificar se determinada ocupação pode ser enquadrada no MEI. O prĂłprio portal recomenda que o empreendedor confira se a descrição da ocupação corresponde ao trabalho que realmente serĂĄ realizado.

No caso do desenvolvimento de software sob encomenda, o CNAE 6201-5/01 identifica essa atividade na classificação econÎmica brasileira. Ele compreende, entre outras coisas, programação e desenvolvimento de sistemas para atender às necessidades de um cliente.

Portanto, não basta encontrar na internet uma pågina dizendo que determinado CNAE "pode ser MEI". O que importa é verificar se a ocupação correspondente estå efetivamente autorizada para o SIMEI.

Regra pråtica: o CNAE descreve a atividade econÎmica. A possibilidade de ser MEI depende das regras específicas do regime e da ocupação correspondente na lista oficial. Uma consulta de CNAE, sozinha, não substitui essa verificação.

2. Por que nĂŁo vale escolher um CNAE "parecido" sĂł para abrir o MEI

Imagine que um desenvolvedor trabalha criando APIs, sistemas web, integraçÔes e aplicaçÔes em C#, Java ou outra linguagem.

Na hora de abrir a empresa, ele encontra uma ocupação permitida relacionada a manutenção ou suporte de computadores e pensa: "vou usar essa atividade porque pelo menos consigo abrir o MEI".

O problema é que o cadastro empresarial precisa representar a atividade que realmente estå sendo exercida. O próprio governo orienta que o empreendedor escolha uma ocupação cuja descrição corresponda ao que ele faz.

Isso nĂŁo significa que qualquer divergĂȘncia cadastral automaticamente seja crime. Significa que utilizar uma atividade apenas como fachada para representar outra pode gerar problemas tributĂĄrios, cadastrais e contratuais.

Também existe uma diferença importante entre suporte técnico, manutenção de computadores, web design, consultoria em TI e desenvolvimento de software. São atividades distintas e possuem classificaçÔes econÎmicas próprias.

O CNAE 6201-5/01, por exemplo, Ă© especificamente classificado pelo IBGE como desenvolvimento de programas de computador sob encomenda.

O ponto principal: nĂŁo escolha uma ocupação simplesmente porque ela permite abrir MEI. Primeiro identifique o que vocĂȘ realmente vende, depois verifique qual enquadramento corresponde Ă quela atividade.

3. E o PLP 25/2026? O projeto que quer mudar essa situação

É aqui que a história fica interessante.

O PLP 25/2026, apresentado pelo deputado Kim Kataguiri, propĂ”e alterar a Lei Complementar nÂș 123/2006 para permitir o enquadramento, como MEI, de atividades de programação e desenvolvimento de software.

Em outras palavras, existe realmente uma proposta legislativa para mudar a regra. Mas existe uma diferença enorme entre "existe um projeto" e "programador jå pode ser MEI".

O projeto ainda precisa seguir o processo legislativo antes de produzir uma mudança definitiva nas regras.

A proposta também não significa que todos os desenvolvedores passariam automaticamente a ter liberdade para ignorar as demais regras do MEI. O enquadramento continuaria sujeito às condiçÔes do regime.

Uma coisa é certa: o PLP 25/2026 é relevante para quem trabalha com programação porque tenta colocar a legislação em discussão diante de uma realidade que mudou muito com o crescimento do trabalho remoto e da economia digital.

Mas, enquanto não houver mudança efetiva na legislação, o projeto deve ser tratado como proposta, não como autorização vigente.

4. Em que estĂĄgio estĂĄ o PLP 25/2026?

Essa é uma informação que precisa ser atualizada sempre que este artigo for revisado, porque a tramitação pode mudar.

Na consulta atual à Cùmara dos Deputados, o PLP 25/2026 aparece como "Aguardando Designação de Relator(a) na Comissão de Finanças e Tributação (CFT)". A proposta foi apresentada em 12 de fevereiro de 2026.

Isso significa que o projeto não virou lei e não deve ser utilizado como justificativa para alguém abrir hoje um MEI de programação acreditando que a atividade jå foi liberada.

Esse detalhe Ă© importante porque muitos conteĂșdos publicados na internet acabam misturando trĂȘs situaçÔes diferentes:

  1. A regra que estĂĄ valendo hoje;
  2. Um projeto de lei que pretende mudar essa regra;
  3. Uma eventual mudança que jå tenha sido aprovada e esteja produzindo efeitos.

No caso do PLP 25/2026, estamos na segunda situação.

5. EntĂŁo qual Ă© a alternativa para quem precisa se formalizar agora?

Se vocĂȘ precisa emitir nota, assinar contratos como empresa e receber de clientes como pessoa jurĂ­dica, a alternativa nĂŁo Ă© simplesmente escolher qualquer atividade permitida no MEI.

Uma possibilidade Ă© constituir uma empresa fora do MEI e avaliar o enquadramento no Simples Nacional, de acordo com a atividade, faturamento e demais caracterĂ­sticas do negĂłcio.

Para desenvolvimento de software sob encomenda, o CNAE 6201-5/01 é uma das classificaçÔes utilizadas para identificar essa atividade econÎmica.

A estrutura societåria também precisa ser analisada. Um profissional que trabalha sozinho, por exemplo, pode avaliar uma estrutura como Sociedade Limitada Unipessoal (SLU), mas a escolha depende da situação concreta e deve ser feita com orientação contåbil.

Outro ponto importante é a tributação. Não é correto simplesmente afirmar que todo desenvolvedor no Simples pagarå 6%.

Existem atividades de serviços sujeitas às regras do Fator R. Quando os requisitos para enquadramento no Anexo III são atendidos, a primeira faixa desse anexo começa em 6%. Caso contrårio, podem existir outras regras de tributação.

O que isso muda na prĂĄtica?

  • VocĂȘ nĂŁo precisa esperar uma mudança no MEI para poder ter uma empresa;
  • O enquadramento depende da atividade efetivamente exercida;
  • A tributação precisa ser calculada para o seu caso;
  • Faturamento, folha, prĂł-labore e atividade podem influenciar o resultado.

6. NĂŁo olhe apenas para o imposto: olhe para o negĂłcio

Um dos maiores erros de quem começa como freelancer é transformar a escolha do regime tributårio em uma simples comparação de preços.

"MEI custa pouco. EntĂŁo MEI Ă© melhor."

NĂŁo necessariamente.

O que vocĂȘ precisa descobrir Ă© quanto custa operar corretamente e quanto sobra no final do mĂȘs depois de impostos, contador, ferramentas, equipamentos, internet, taxas e demais despesas.

TambĂ©m Ă© importante separar o dinheiro pessoal do dinheiro do trabalho. Mesmo que vocĂȘ ainda esteja começando sozinho, ter controle de receitas, despesas, clientes e metas facilita muito a tomada de decisĂŁo.

Uma ferramenta simples pode ajudar nessa organização:

Um planner financeiro pode ser usado para registrar recebimentos, despesas, metas e compromissos. NĂŁo substitui contador nem planejamento tributĂĄrio, mas pode ajudar o freelancer a enxergar melhor para onde estĂĄ indo o dinheiro.

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7. Quanto o MEI pode faturar?

O limite de faturamento do MEI continua sendo um dos pontos mais importantes para quem estå começando.

A regulamentação estabelece atualmente o limite de R$ 81 mil de receita bruta anual para o MEI, além das demais condiçÔes do regime.

Isso equivale a uma mĂ©dia de R$ 6.750 por mĂȘs quando distribuĂ­do igualmente ao longo de doze meses, mas Ă© importante nĂŁo confundir essa mĂ©dia com uma autorização para faturar exatamente esse valor todos os meses.

O limite é anual e precisa ser analisado de acordo com as regras aplicåveis ao período e à situação do empreendedor.

E existe outro detalhe importante: mesmo que o PLP 25/2026 seja aprovado, o simples fato de programação entrar no MEI não eliminaria necessariamente as demais limitaçÔes do regime.

Para um desenvolvedor que pretende crescer rapidamente, contratar equipe ou ultrapassar o limite do MEI, pode fazer mais sentido analisar desde cedo uma estrutura empresarial diferente.

8. O que o programador deve fazer antes de abrir a empresa

Antes de abrir qualquer CNPJ, vale responder algumas perguntas.

  1. O que exatamente eu vendo?
    Desenvolvimento sob encomenda, manutenção, suporte, consultoria, treinamento e licenciamento podem ter classificaçÔes diferentes.
  2. Quanto pretendo faturar?
    NĂŁo olhe apenas para o primeiro mĂȘs. Pense tambĂ©m no cenĂĄrio de crescimento.
  3. Quem sĂŁo meus clientes?
    Empresas maiores podem exigir documentação, emissão de nota e estrutura empresarial compatível com o contrato.
  4. Quais sĂŁo minhas despesas?
    Contador, ferramentas, equipamentos, internet, hospedagem e outros custos precisam entrar na conta.
  5. Qual regime tributĂĄrio faz sentido?
    Essa Ă© uma decisĂŁo que deve considerar atividade, faturamento e estrutura do negĂłcio, e nĂŁo apenas o valor mensal do imposto.

Essas perguntas sĂŁo muito mais importantes do que simplesmente procurar na internet por "qual MEI serve para programador".

9. O que muda se o PLP 25/2026 for aprovado?

Essa Ă© uma pergunta que muita gente estĂĄ fazendo, mas ainda nĂŁo existe uma resposta definitiva porque o projeto nĂŁo virou lei.

O PLP 25/2026 pretende permitir o enquadramento de atividades de programação e desenvolvimento de software no MEI. A Cùmara registra a proposta como projeto sujeito à apreciação do Plenårio e, no momento da consulta, ela ainda aguardava designação de relator na Comissão de Finanças e Tributação.

Portanto, o mais correto é acompanhar a tramitação sem tratar o projeto como uma mudança jå aprovada.

Se a proposta avançar e virar lei, ainda serå necessårio verificar o texto final, a regulamentação e a data em que as novas regras começarão a produzir efeitos.

Resumo: existe uma proposta para permitir MEI para programadores, mas hoje ela deve ser tratada exatamente como isso: uma proposta em tramitação.

10. ConclusĂŁo: programador pode ser MEI ou nĂŁo?

A resposta mais responsåvel para 2026 é: não trate programação como atividade automaticamente permitida no MEI só porque um site de consulta de CNAE apresenta o código da atividade.

O MEI possui uma lista própria de ocupaçÔes permitidas, e o governo orienta que o empreendedor escolha uma ocupação compatível com aquilo que realmente faz.

Ao mesmo tempo, existe uma mudança em discussão. O PLP 25/2026 pretende permitir o enquadramento de atividades de programação e desenvolvimento de software no MEI, mas o projeto ainda estå em tramitação na Cùmara.

Para quem precisa se formalizar agora, o caminho Ă© analisar uma estrutura empresarial adequada Ă  atividade e ao faturamento, em vez de tentar encaixar uma atividade de desenvolvimento em um CNAE que nĂŁo representa o trabalho realizado.

E talvez essa seja a maior lição para quem estĂĄ começando como freelancer: nĂŁo escolha a estrutura da sua empresa apenas pelo menor imposto aparente. Escolha pensando no que vocĂȘ realmente faz, quanto pretende faturar e onde quer chegar.

VocĂȘ jĂĄ teve dificuldade para descobrir como se formalizar como programador? JĂĄ abriu empresa ou ainda trabalha como freelancer? Conte sua experiĂȘncia nos comentĂĄrios.

EstĂĄ pensando em trabalhar como PJ?

Antes de abrir um CNPJ, entenda sua atividade, estime seu faturamento e organize suas despesas. Uma decisĂŁo tributĂĄria nĂŁo deve ser tomada apenas olhando para o valor do imposto.

Salve este artigo e acompanhe as próximas atualizaçÔes sobre o PLP 25/2026.

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