Conto - Olhos azuis

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Depois de um dia cansativo de trabalho, finalmente chego em casa no fim da tarde. Não consigo segurar a ansiedade de ver minha mulher e meu filho de novo. Todo dia quando volto é como se fosse a primeira vez. "Querida, cheguei" - soltando todo o ar dos meus pulmões, anuncio minha chegada, e sou recebido pela minha mulher. Tão jovem, tão adorável, uma donzela com seus olhos azuis tão vívidos como o oceano, cabelos loiros caídos nos ombros, depois de olhar para ela, todo aquele estresse do dia é esquecido no mesmo instante e eu não me sinto mais sozinho.

- Eu conheço esse cheiro. Já sei, você fez aquele ensopado que gosto, acertei? - Disse enquanto cheirava  o  ar.

Ela me afirmou com um aceno de cabeça. Não aguentei de tanta felicidade, levantei e a beijei. Deus sabe como eu amo aqueles lindos olhos azuis.

Depois do jantar, coloco o meu filho para dormir. Olho o seu quarto, percebo o quanto me lembra o que queria ter quando criança, com todos aqueles bonecos de ação, cartazes de filmes, uma escrivaninha, onde colocaria meu diário. Era o quarto que eu sonhava em ter quando criança.

Com aqueles pensamentos, retorno ao meu quarto, onde minha amada já dormia. "Meu Deus, ela parece um anjo", pensei comigo enquanto admirava seu sono. A beijei, deitei ao seu lado, e não consegui mais mexer meus braços. Tentei com todas as minhas forças, mas não consegui. Quando dei por mim, estava enrolado em uma camisa de força, em um quarto acolchoado. Com tamanho desespero comecei a gritar, e a me remexer com mais violência. Como era possível? Há poucas horas atrás eu tinha acabado de chegar do trabalho. Meu trabalho? - disse ofegante - porque não consigo me lembrar qual era o meu trabalho? Ou dos meus colegas? Tudo antes de chegar em casa é um grande vazio.

Nesse momento, enfermeiros entraram no quarto para me segurar, entre eles, uma enfermeira com uma agulha, dizendo com uma voz doce: "Se acalma, foi apenas um sonho". Enquanto ela injetava o remédio em mim, percebi algo muito familiar: Seus olhos azuis, da cor do oceano. E foi quando percebi a verdade. Enquanto tudo escurecia, eu apenas esperava o momento de ver aqueles olhos azuis de novo.

Autor: Ricardo Cerqueira Sotero
imagens: Filosofia imortal blogspot

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