Família Addams - Era melhor do que pensávamos


Fico vendo na internet os mais velhos falarem que a geração atual está meio fresca, que não aguenta muita coisa. Nesse caso não sou capaz de opinar, mas creio que hoje em dia, muito mais coisas estão sendo censuradas do que na minha época. Por exemplo, filmes como Brinquedo assassino e a Volta dos Mortos-Vivos passavam no meio da tarde, sem contar que a primeira vez que vi seios expostos na televisão foi na sessão da tarde, além de outras coisas como Conan, lagoa azul, etc. Então fiquei me perguntando se atualmente os filmes da Família Addams passariam em certos horários, pelo menos sem cortes. Fiz o teste com a minha irmã mais nova e consegui perceber um certo desconforto com algumas cenas. Então, chega de blá blá blá e vamos falar um pouco de dois dos melhores filmes de humor negro já feitos, mas vamos conhecer um pouco mais essa inesquecível obra.

Uma família estranha


via Addamsfamily.com

Para quem não conhece, e creio que essa geração não conhece muito bem, A família Addams foi criada por Charles Addams, fazendo uma sátira da família tradicional americana (creio que hoje teria sido um pouco diferente), onde os personagens tinham uma fascinação pelo mórbido, macabro e bizarro, sendo caracterizados como personagens típicos e estereotipados de filmes de terror e cultura gótica. A obra foi publicada em tirinhas, tendo aparecido em 150 delas de 1937 até 1988, que foi quando o autor morreu.

Em todo esse tempo, e posteriormente, foram adaptados por diversas mídias, como televisão, tanto em animação quanto em Live-Action, Vídeo-Games, e claro, cinema, que é o foco de hoje, que é bem melhor do que eu achava na época. 

Uma família estranha

via bustle

Na década de 90, A família Addams teve dois filmes, um em 1991 e o outro em 1993, trazendo um elenco de peso como Angélica Huston, que já havia assustado todos com Convenção das bruxas, Raul Julia, que viria a falecer em 1994, Christopher Loyd, o Dr. Brown de De volta para o futuro e estaria irreconhecível neste filme como o icônico Tio Fester e Christina Ricci.

Tudo começava quando o advogado falido da família decidia usar um impostor para tomar o lugar de Tio Fester, que havia desaparecido a 25 anos e tinha o direito sobre a herança da família por ser o Addams mais velho vivo (aqui temos a confirmação de que os Addams não são fantasmas). No final, descobriram que aquele era o verdadeiro Fester, que estava sofrendo de Amnésia, mas a revelação é feita de uma maneira tão simples que é a única crítica negativa que tenho para o longa.

Via Just Watch

No segundo filme, temos o nascimento de um novo Addams, o bebê Gilbert, que causa uma crise de ciúmes em Wednesday e Pugsley (chamados respectivamente na animação de Vandinha e Feioso), que tentam matar a criança. Isso faz com que Gomez e Mortícia contratem uma babá para vigiar os filhos. Mas como todos os filmes tem que ter um conflito, a moça é uma maníaca homicida que quer dar o golpe do baú em Fester.

Macabro, bizarro e engraçado

Via Rollingstone

Quando criança eu nunca fui com a cara desses dois filmes, talvez por eles se distanciarem demais da animação, mas depois de adulto eu mudei de ideia. Os filmes são feitos de puro humor negro, como quando Pugsley rouba uma placa de pare de um cruzamento e Gomez comemora as batidas de carros, que podem ser ouvidas de dentro da casa. Ou as brincadeiras de Wednesday que sempre envolvem homicídios com facas, machados e até uma cadeira elétrica, atos incentivados pelos pais. Aqui Raul Julia mostra o que é atuar, fazendo diversas caretas, bancando do galanteador apaixonado ao cara brincalhão ou revoltado sem deixar a atuação forçada.

No segundo filme, esse tipo de humor negro é deixado um pouco de lado e foca no lado humano dos personagens, mostrando que eles também amam, se preocupam, entre outras coisas. Nesse filme, Christina Ricci rouba a cena mostrando ser uma boa atriz desde tão nova, mesmo não tendo muitas expressões como Gomez. Aqui que acontece a icônica crítica ao massacre ao povo indígena no dia de ação de graças, que mostra a capacidade de juntar o crítico ao humorístico de maneira sútil.



Vale ou não a pena?


via Cinefila de plantão

Claro que vale, mas não é um filme para crianças, por causa do seu humor negro recorrente, piadas cheias de conotações e críticas sociais, tudo de uma forma bem bizarra. Só fazendo um adendo, nunca pensei que A família Addams estaria entre os meus filmes favoritos depois de adulto.

Comentários