Vamos falar sobre Aurora


Durante um podcast sobre a profissão de astronauta, soltaram a seguinte frase: "Seria bom mandar alguns lideres para o espaço, para verem o quanto somos insignificantes". Claro que não foi exatamente nessas palavras, mas a ideia era a mesma. Isso me fez pensar que se pudéssemos conhecer de verdade o plano a qual pertencêssemos, ainda seriamos tão egoístas e mesquinhos quanto somos? Durantes anos, vários autores criaram personagens que, de certa forma, passavam a ter uma visão mais divina das coisas, como a Graphic novel de hoje: Aurora.

Felipe Folgosi escreve a historia de Rafael Santos, um imigrante português que trabalha como pescador para sustentar sua mulher Cláudia e sua filha Isabelle. Durante uma tempestade ele é banhado por algo que parece ser radiação, que o deixa a beira da morte, ou pelo menos era o que todos pensavam. A vida de Rafael muda completamente quando ele desenvolve estranhas habilidades que podem colocar em risco todos ao seu redor.

Catarse

 De início, parece uma historia de super-herói, com um acidente que muda a vida do cara e ele tem que enfrentar uma ameaça. Mas eu fiquei feliz de que a historia tomou um caminho diferente, puxando mais para questões cientificas e filosóficas, onde Rafael começa a enxergar o mundo com outros olhos, querendo fazer mais pelo seu próximo, ao invés de se proclamar um "Novo deus". Ao mesmo tempo que o coronel Saul, dizendo ser o novo "salvador da espécie", reflete a vontade humana de sempre estar acima dos outros. Tudo isso apresentado de maneira bem dosada, nada de muitos pensamentos filosóficos jogados na cara do leitor, ou deixado "super-heróico" demais.

Falando da obra em geral, tudo é muito simples, sem muitas reviravoltas, ou interpretações exageradas. Na verdade, deixar tudo direto foi um dos poucos pontos negativos da revista. Poderia ter abordado mais a "jornada de descobrimento" de Rafael com relação aos seus poderes, e também explicado melhor que tipo de organização o Coronel Saul fazia parte, porque algumas coisas ficaram vagas. Mesmo assim, você fica preso para saber o que realmente está acontecendo e como tudo vai terminar.

 Resumindo, Aurora é uma história que o leitor pode   interpretar de diversas maneiras. Eu por exemplo, vi novamente a questão levantada em personagens clássicos como Surfista Prateado ou Dr. Manhattan, mas de uma perspectiva mais parecida com a minha, que é: "Se eu pudesse ler os pensamentos das pessoas ou ver o universo de um jeito mais divino, usaria isso para ajudar, mesmo sofrendo decepções ou destruiria tudo ao meu redor?". Então, pegue uma tarde de Domingo, sente-se e leia Aurora e veja o que a obra significou para você.



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